PERIGO DOS DIAGNÓSTICOS PRECOCES

Foto Gilberto Welch

 

Quem deseja buscar saúde não deve procurar doenças”, esta foi a alerta do Dr. H.Gilberto Welch, especialista em clinica médica pela Universidade de Washington, professor e pesquisador da área de detecção precoce de doenças na Universidade Dartmouth e autor dos livros: Overdiagnosed (Superdiagnóstico) e Should i be tested for cancer (Devo ser testado para câncer).

Em sua entrevista a Débroa Mismetti, repórter da Folha de S.Paulo, o médico derruba o mito que exames preventivos evita mortes, ao contrário, o excesso podem provocar estas.

Nos EUA os advogados processam os médicos por falta de diagnóstico, mas não há punição para sobrediagnóstico, porque nunca se fala deste perigo e as pessoas acreditam que foram salvas por exames preventivos e todos os dias exames novos são criados…

Agora as pessoas se dizem modernas porque em vez de prevenções naturais, aderiram ao modelo médico em procurar doenças em pessoas saudáveis sem avaliar os danos que isto pode causar.

Há 20 anos, um exame de sangue específico chamado PSA (antígeno prostático específico) constatava câncer de próstata minúsculos e só nos Estados Unidos 1 milhão  de americanos se tratavam assim e deste tratamento resultou: cirurgias aonde alguns morreram na mesa de operação, radioterapia, uso de drogas, problemas sexuais, urinários ou intestinais, quando muitas vezes jamais seriam afetados, pois estudos demonstram que é necessário fazer exames preventivos de PSA em mil homens de 50 a 70 anos, por dez anos, para evitar a morte por câncer de apenas uma pessoa.

Enquanto os médicos em geral dizem que é mais fácil cuidar de um câncer quando está no inicio do tumor, o dr. Welch diz que não é bem assim, pois todos nós conforme vamos envelhecendo temos propensão para esta doença  principalmente o de tireóide, próstata e mama caso faça uma investigação detalhada e seria necessário tratar todas as pessoas no mundo e muitas destas ficariam mutilados desnecessariamente, já que as doenças poderiam nunca terem sido manifestadas e dr. Welch ressalta: “fazer tanto exame é o jeito mais rápido de ter câncer e os médicos encontrarão tantas anomalias que não saberão exatamente quais são as mais sérias e vão ter que tratar todas, enfraquecendo o corpo como um todo além dos efeitos colaterais que inevitavelmente os remédios ou tratamentos invasivos vão provocar.

Se por exemplo, uma mulher quer fazer mamografia (exame radioativo) todo ano é seu direito, o que é inadmissível é incutir nela a culpa e o pânico e muitas vezes fazer o exame por coação, sem considerar que a detecção precoce do câncer de mama pode ser feita através de polpação do seio e só no caso de encontrar algum caroço, é necessário fazer exames rápidos.

Também critérios usados para detectar diabetes ou problemas de pressão estão deixando as pessoas doentes.

O dr.Gilberto diz que, até para quem já está doente estes problemas não estão nada perto de benefícios do tratamento e que é difícil um médico fazer o cliente se sentir melhor do que já é, mas é muito fácil o médico criar pânico e o cliente se sentir pior.

Sentimentos como medo e pânico depois dos resultados de um exame podem abaixar o sistema imunológico, criar alucinações ou imagens negativas e estas serão captadas pelo cérebro como verdade aonde pode potencializar a doença.

Para entender melhor o que o cérebro é capaz de criar, é só imaginar que está chupando um limão e logo seu corpo produzirá secreções necessárias para digerir esta fruta, enchendo a boca de saliva, isto porque, para o cérebro, você estava chupando o limão e todo o comando necessário foi feito para que houvesse uma boa digestão.

Por tudo dito, o dr. Welch alerta que a melhor prevenção é cuidar da saúde de forma natural: comer frutas, verduras, brincar ao ar livre, não fumar. Ele diz que saúde é muito mais que ausência de doença e que o perigo em taxar as pessoas como doentes é tirânico e muitas vezes isto é para fazer mais exames e vender mais remédios que são altamente lucrativos.

Fonte : Saude Integral