Estudo mostra avanço no rejuvenescimento e na regeneração de tecidos

Cientistas da Espanha anunciaram  nesta quarta-feira (11) ter conseguido fazer com que células maduras de camundongos vivos retrocedessem ao seu estado versátil e juvenil, em um avanço para a regeneração de tecidos com células-tronco. Atualmente, a técnica está em seu estágio inicial e é limitada por questões de segurança, o que torna impossível examiná-la em humanos.

Mas, segundo os cientistas, apresenta uma nova estratégia para se alcançar um objetivo sedutor: o de um dia curar tecidos danificados simplesmente com a reprogramação de quase todas as células adultas ao substituir a área perdida ou doente, descartando a necessidade de transplante.

INFOGRÁFICO

Arte UOL

As células-tronco despertam enorme interesse no campo da pesquisa médica. Elas são células imaturas que se diferenciam nas células especializadas que formam e mantêm o corpo humano.

Em 2006, uma equipe de cientistas do Japão, chefiada por Shinya Yamanaka, anunciou ter conseguido com que um aglomerado de quatro genes introduzido em células adultas numa placa de Petri fizesse regredir estas células ao estágio de quando eram bebês.

Desde então, as denominadas células-tronco pluripotentes induzidas – conhecidas pelo acrônimo iPS – se tornaram a inovação mais acompanhada neste campo de pesquisas.

Apesar de muitos obstáculos, elas são consideradas por alguns como sendo inclusive mais promissoras do que as células-tronco embrionárias, o “padrão ouro” da versatilidade, porém muito criticadas pelos conservadores por exigirem o descarte dos embriões de onde são extraídas.

Em um artigo publicado na revista Nature, uma equipe de pesquisadores chefiada por Manuel Serrano e Maria Abad, do Centro Nacional de Pesquisa sobre o Câncer espanhol criou camundongos geneticamente modificados que continham os quatro “genes Yamanaka”.

Os genes foram, então, ativados com a administração de um medicamento colocado na água das cobaias.

As células do rim, do estômago, do intestino e do pâncreas dos roedores demonstraram sinais de reprogramação, tendo sido revertidas para um estágio extremamente versátil ou “totipotente”, mais parecido com as células-tronco embrionárias do que com as iPS criadas em laboratório, informaram os cientistas.

A técnica confirma que a reprogramação pode ser feita em um tecido vivo e não apenas em laboratório, explicou Serrano. “Agora, podemos começar a pensar em métodos para induzir a regeneração localmente e de forma transitória em uma área danificada em particular.”

Outros pesquisadores se mostraram divididos sobre o caráter inovador do trabalho, alertando para obstáculos desanimadores que poderiam estar mais adiante. Segundo eles, não há evidências do que aconteceu com as células nos camundongos depois que elas foram reprogramadas.

Além disso, os animais desenvolveram aglomerados de tumores denominados teratomas, embora isto fosse esperado como parte da pesquisa. Criar teratomas é uma referência da versatilidade de uma célula-tronco experimental.

“Este artigo é muito animador. Obviamente, ninguém deseja fazer isto com fins terapêuticos porque leva à formação de tumores”, declarou Ilaria Bellantuono, pesquisadora da Universidade de Sheffield, ao Science Media Centre, uma organização sem fins lucrativos sediada em Londres. “No entanto, esta é uma prova do conceito de que a pluripotência pode ser obtida in vivo”, em animais vivos, acrescentou.

O processo “ainda precisa de que estas células iPS sejam seguramente convertidas em células ‘adultas’ no corpo”, alertou Chris Mason, professor de medicina regenerativa da University College de Londres.

“O grande desafio será controlar estritamente cada passo nesta abordagem potencial a fim de apresentar benefícios clínicos e, ao mesmo tempo, evitar complicações significativas”, concluiu.

 

Fonte: UOL NOTICIAS SAÚDE