14 coisas que a ciência diz que engordam (e nós nem imaginávamos)

 

Ángeles Gómez

Muitos ainda terão o gosto de rabanada rodando pelo paladar, mas em sua cabeça cresce a determinação de fazer algo para apagar, na medida do possível, a marca que deixaram na balança as licenças dietéticas natalinas (uma média de 2 a 4 quilos de ganho de peso). Outros afortunados terão conseguido não engordar nem um grama nessas festas. Seja qual for o seu balanço, janeiro é um mês estratégico na guerra contra o sobrepeso. Há dezenas de dietas para emagrecer, algumas com uma sólida base científica, mas por si sós não garantem a vitória, já que, como advertem os especialistas, vivemos em uma sociedade obesogênica, na qual inúmeros fatores concorrem para engrossar o caldo dos adipócitos (células de gordura). A seguir, desmascaramos alguns dos aliados menos conhecidos da obesidade.

1. Refeições em família

Mesmo que você já esteja cansado dos parentes, deve saber que as refeições familiares podem proteger da obesidade e do excesso de peso. Entre as razões está que durante as refeições se estabelecem conexões emocionais entre os membros da família e os alimentos costumam ser mais saudáveis, segundo um estudo das universidades de Minnesota e de Columbia (EUA) publicado no “Journal of Pediatrics”. Essa recomendação é especialmente útil para crianças e adolescentes, para prevenir a obesidade quando chegarem à idade adulta. Não se horrorize: uma ou duas refeições familiares por semana são suficientes para reduzir o risco de obesidade.

2. Irmãos e amigos gordinhos

Os chegados o perseguem. Ter um irmão obeso duplica seu risco de sê-lo (mais do que se for seu pai), e a possibilidade aumenta se esse for maior e do mesmo sexo, segundo Markos Pachucki, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, em um artigo publicado no “American Journal of Preventive Medicine”. Os amigos com excesso de peso também não ajudam, porque os quilos a mais são contagiosos, como constatou o doutor David Shoham, da Universidade de Loyola em Chicago, em um estudo com 1.800 adolescentes (PLoS One). Este vínculo já tinha sido encontrado em um trabalho anterior publicado em 2007 no “The New England Journal of Medicine”. O bom é que a magreza também se transmite, e se seus amigos estão magros (Índice de Massa Corporal, ou IMC, igual a 20) você tem 40% mais possibilidades de reduzir seu peso.

3. Ano de nascimento

Se você nasceu depois de 1942, fique atento. Existe uma conexão entre uma variante do gene FTO e o ano de nascimento que favorece o aparecimento da obesidade, uma correlação que é duas vezes mais forte entre os nascidos depois de 1942. Os cientistas que encontraram essa conexão, dirigidos por James Rosenquist, do Departamento de Psiquiatria do Hospital Geral de Massachusetts, não têm uma razão clara para essa associação, mas indicam o desenvolvimento tecnológico posterior à Segunda Guerra Mundial.

4. Bactérias intestinais

Talvez você encontre em seu intestino a resposta para o peso. Se entre os milhões de microrganismos que se hospedam no aparelho digestivo houver bactérias da família Christensenellaceae, sorte sua, porque elas protegem do aumento de peso (Cell). Embora esse microrganismo seja herdado, sua descoberta abre portas para a criação de tratamentos probióticos personalizados contra a obesidade.

5. Restaurantes com música clássica

As sonatas de Schubert podem ser apropriadas para um jantar romântico, mas deve-se saber que animam a comer mais. Um estudo britânico das universidades de Leicester e Surrey Roehampton comprovou que se consomem mais alimentos e café nos locais quando há música clássica de fundo do que quando toca outro tipo de melodia. Leve isso em conta também para sua economia.

6. Trabalho noturno

Trabalhar à noite engorda, e não é porque se coma mais, mas porque se altera o ritmo circadiano. As pessoas estão programadas para dormir quando não há luz e comer de dia. “O trabalho em turnos durante a noite interrompe o sono e rompe o ciclo fisiológico, e isso provoca uma diminuição do gasto energético diário total”, conclui um estudo realizado por cientistas do Instituto Médico Howard Hughes do Texas, publicado na revista científica “PNAS”. A solução: comer menos.

7. Dormir pouco

O déficit de sono não só muda nosso humor, como também engorda: está comprovado cientificamente. A explicação é que o sono desempenha um papel relevante no metabolismo energético, de forma que ao não dormir comemos mais, como um mecanismo fisiológico de adaptação para manter a vigília. Uma pesquisa publicada recentemente no “American Journal of Clinical Nutrition” também concluiu que dormir mais está associado a um menor Índice de Massa Corporal e uma melhor alimentação.

8. Viver na Irlanda

Se você pensa em morar fora do país, talvez lhe interesse saber que as previsões indicam a Irlanda como o país onde as taxas de obesidade e sobrepeso masculinas aumentarão mais (em 2.030, 90% de seus homens terão sobrepeso), enquanto na Bélgica só 44% dos homens acumularão quilos demais. A explicação para essas estimativas, realizadas pelo Fórum de Saúde do Reino Unido em colaboração com o escritório regional da OMS para a Europa, está no modelo econômico. “Nos mercados liberais como Reino Unido e Irlanda, as multinacionais da alimentação promovem o consumo excessivo”, afirma a doutora Laura Webber, coautora do relatório, que foi apresentado no último congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.

9. Poluentes ambientais

As substâncias residuais do pesticida DDT, ou do lindano (usado para combater piolhos e sarna), são alguns dos poluentes que se acumulam no tecido gorduroso das pessoas, favorecendo o desenvolvimento da obesidade e o aumento do colesterol no sangue, segundo comprovou um grupo de cientistas da Universidade de Granada, que publicou esses resultados em “Enviromental Pollution”. Esses poluentes chegam aos indivíduos principalmente por meio de alimentos com alto teor de gordura, incluindo carnes e peixes de grande porte.

10. Ver televisão

Juntar o telejornal da noite com um capítulo de sua novela favorita, para terminar com um pouco de debate sobre atualidades, o manterá mais de duas horas diante do televisor. Se isso se repetir todos os dias, aumentará em 23% o risco de obesidade (para não falar do risco de 14% de desenvolver diabetes), adverte um relatório da Universidade Harvard.

11. Dormir com a televisão ligada

Sem dúvida você já dormiu mais de uma vez embalado pelo som da TV. Esse pequeno prazer pode fazê-lo ganhar peso. Por quê? Segundo Ahmad Agil, pesquisador da Universidade de Granada, a exposição à luz artificial durante a noite enquanto dormimos – como a emitida pela televisão, pelo computador ou por uma lâmpada acesa – reduz os níveis endógenos de melatonina, um hormônio que é liberado durante a noite para regular os ritmos circadianos e que possui um poderoso efeito antioxidante e anti-inflamatório. Essas propriedades protegem de alterações metabólicas que provocam obesidade e diabetes. Um conselho: tente dormir na escuridão total (“Journal of Pineal Research”).

12. Estresse pós-traumático

“As mulheres que sofrem de estresse pós-traumático aumentam de peso mais rapidamente e são mais propensas a sofrer obesidade do que as que não atravessam essa situação”, afirma um estudo das universidades Harvard e Columbia, publicado em “Archives of General Psychiatry”. Mas há uma boa notícia: quando diminuem os sintomas desse transtorno, o risco de obesidade se reduz notavelmente.

13. Depressão e ansiedade

Um terço das pessoas estressadas perde o apetite e emagrece, mas mais da metade reage ao estresse comendo e, pior, ingerindo alimentos muito apetitosos, ricos em açúcares e gorduras. A explicação científica é que o centro de recompensa que temos no cérebro é ativado por esse tipo de comida. Além disso, o hormônio do estresse, o cortisol, sensibiliza esse sistema de recompensas e favorece a ingestão compulsiva de alimentos muito calóricos. Rubén Bravo, diretor do Departamento de Nutrição do Instituto Médico Europeu da Obesidade (Imeo), afirma: “ansiedade e estresse são duas situações que se repetem com frequência em nossos consultórios. Os problemas econômicos e de trabalho levam a buscar a felicidade na comida, especialmente em doces, que diminuem a agitação”.

14. Alguns produtos desnatados

Um estudo publicado no “Scandinavian Journal of Primary Health Care” concluiu que o consumo de laticínios ricos em gordura está relacionado a um menor risco de desenvolver obesidade central. Na opinião do nutricionista Walter Willett, da Escola de Saúde Pública de Harvard, uma explicação para essa descoberta é que os produtos com toda a gordura dão mais saciedade, e além disso os ácidos graxos dos laticínios têm um efeito adicional na regulação do peso. A nutricionista Natalia Galán, do Serviço de Promoção da Saúde de Sanitas, acrescenta: “Os produtos light nem sempre ajudam a emagrecer, pois o fato de terem 30% menos calorias que o produto inicial não é sinônimo de que não vão engordar. Muitos são anunciados como light e têm mais calorias que os que não o são”.

fonte: EL PAIS-UOL-SAÚDE