Respostas Às Objeções Contra A Liderança Nas Igrejas Nos Lares – Parte 1

Liderança Em Atos e Nas Cartas De Paulo – Parte 1

 

 

Muitas das objeções lançadas contra o estilo de liderança das igrejas nos lares existem por causa de traduções mal feitas do Novo Testamento, e por causa da tradição que perdura desde a Idade Média. A mentalidade institucional dos tradutores da Bíblia tem transmitido aos povos de língua portuguesa, neste tema liderança eclesiástica, a idéia de uma liderança oficial, hierárquica e posicional, que não se encontra no Novo Testamento original. Termos como Bispos, Pastores, Ministros, e Presbíteros, têm sido mal interpretados e mal traduzidos, gerando e perpetuando a mentalidade clerical.
Nesta seqüência de artigos, vamos analisar algumas passagens que têm sido mal interpretadas pelos que defendem a liderança hierárquica na igreja, e usadas para fazer oposição ao estilo do líder-servo, voluntário, das igrejas orgânicas (nos lares).
Atos 1.20 fala sobre ministério oficial? “Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministério.” (Atos 1.20. ARA)
“Porque, prosseguiu Pedro, “está escrito no Livro de Salmos: ‘Fique deserto o seu lugar, e não haja ninguém que nele habite’; e ainda: ‘Que outro ocupe o seu lugar’.” (Atos 1.20. NVI)

A palavra grega original que foi traduzida na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) como “ministério” e na NVI como “lugar” é episskopén, que significa propriamente “supervisão”, ou “função de supervisionar”. A tradução correta desse verso é:
“Pois está escrito no livro dos Salmos: ‘Que a morada dele fique deserta e não haja quem habite nela’ e ‘Que outro receba a função de supervisionar, que era dele’.” (Atos 1.20) Portanto, sequer ocorre a palavra “ministério” em Atos 1.20. Este erro de tradução induz ao pensamento clerical de um ministério hierárquico. O episcopado (supervisão) é uma função para a qual alguns homens cristãos receberam o chamado de Deus para cuidar das igrejas de uma determinada região, para não permitir que doutrinas heréticas as invadam. Assim como os dons, as funções e tarefas exercidas na igreja não são cargos nem ofícios; são serviços prestados de coração visando à edificação do Corpo de Cristo.
Romanos 11.13 fala sobre ministério oficial? “Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério,” (Rom. 11.13. ARA)
“Estou falando a vocês, gentios. Visto que sou apóstolo para os gentios, exalto o meu ministério,” (Rom. 11.13. NVI)
Mais uma vez um erro de tradução coopera para o errôneo entendimento do verso. A palavra grega original que foi traduzida na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) e na NVI como “ministério” é diakonían, que significa propriamente “serviço”. Assim, a tradução correta desse verso é:
“Mas digo a vocês, gentios; visto, então, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu serviço.” (Rom. 11.13) Quem faz um serviço, serve, e quem serve é um servo, não uma autoridade, um oficial. Também neste verso a palavra “ministério” não aparece quando o lemos na língua original do Novo Testamento.
E 1 Timóteo 3.1 não trata de um ofício eclesiástico? “Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja.” (1 Tim. 3.1. ARA)
“Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função.” (1 Tim. 3.1. NVI)
Neste verso a palavra original grega traduzida na ARA como “obra” e na NVI como “função” é ergou (pronuncia-se ergu) e significa “trabalho”, “obra” ou “tarefa”. A ARA traduziu mais literalmente. A NVI traduziu como “função” e não é uma má tradução, pois traduz o sentido da palavra. O importante é observar que as principais versões brasileiras trazem traduções corretas para este verso. O episcopado é uma tarefa, uma função, uma realização, e não um cargo. Tanto o original quanto as traduções transmitem isto. As pessoas que enxergam o episcopado como cargo, ao lerem este verso, o fazem por um vício de interpretação. Suas mentes estão contaminadas com o clericalismo reinante na igreja moderna e quando lêem este verso, enxergam o que ele não diz.
1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito são conhecidas como Cartas (ou epístolas) Pastorais. Isto não significa que Timóteo e Tito eram Pastores de igreja?
Não. As cartas de Paulo a Timóteo e a Tito ficaram conhecidas como Cartas Pastorais somente desde o Século XVIII para cá. Porém isto é um erro de classificação.
Timóteo e Tito não eram pastores de igrejas locais. Eles eram companheiros apostólicos de Paulo (trainees de apóstolo) e estavam sempre viajando de um lugar a outro. Eventualmente, assim como Paulo, eles passaram mais tempo em um lugar ou outro, para fortalecer uma igreja (como foi o caso de Tito em Creta e de Timóteo em Éfeso). Esses homens não eram ministros residentes. Eles eram parte do circulo apostólico de Paulo e estavam constantemente viajando (Rom. 16.21; 1 Cor. 16.10; 2 Cor. 8.23; 1 Tess. 1.1; 2.6; 3.2; 2 Tim. 2.15; 4.10). Chamar essas três cartas de “Epístolas Pastorais” reflete um vício moderno e não corresponde à verdade.

 

FONTE: Marcio Rocha