Igreja nas casas, que novidade é esta?

Todos os cristãos, sejam católicos ou evangélicos , tem seus templos onde se reúnem para suas práticas religiosas; que novidade é esta de cristãos se reunindo e partindo o pão de casa em casa?

Até o início do quarto século com a ascensão ao trono romano do imperador Constantino ( 312 a 337 d/C), a Igreja cristã reunia-se exclusivamente nas casas de seus membros. A adoção de um templo para reunião de cristãos foi uma invenção megalomaníaca de Constantino, posterior ao início do quarto século. Veja o que dizem três dos mais credenciados historiadores atuais:

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Em “Historical Approach to Evangelical Worship” (Uma Abordagem Histórica da Adoração Evangélica), página 103 e em “History of the Christian Church” (História da Igreja Cristã): Volume 3, página 542: SCHAFF escreve: “Depois da cristandade ser reconhecida pelo estado e autorizada a ter propriedades, ela passou a erigir templos de adoração em todas as partes do Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV do que houve em qualquer período da história, talvez com exceção do século XIX nos Estados Unidos…” Veja também em To Preach or Not to Preach? (Com ou Sem Propósitos de Oração), página 29, onde NORRINGTON diz que: “Na medida em que os Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza, eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de templos de Igrejas”. Em “Early Christians Speak” (O Falar dos Cristãos Modernos), página 74, FERGUSON diz que: “Até a ascensão de Constantino não encontramos nenhum edifício especialmente construído para a igreja, ela se reunia em casas simples ou casas adaptadas, após a ascensão de Constantino as construções começaram: primeiro simples salões, depois basílicas e finalmente grandes catedrais foram erigidas”.

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os que mostram claramente a igreja se reunindo na casa de um de seus membros, e nenhuma só referência a uma reunião da Igreja num templo.

Veja por exemplo os dois primeiros versículos da carta escrita por Paulo ao seu cooperador Filemon, está claramente escrito que a Igreja se reunia na casa deste irmão. Em Colossenses 4:15, Paulo manda uma saudação à irmã Ninfa, em cuja casa se hospedava a Igreja de Laodicéia.

Os exegetas nos contam que a carta que Paulo escreveu aos Romanos, ele a escreveu enquanto estava na cidade de Corinto e por isto, em Romanos 16:23, ele envia aos irmãos de Roma uma saudação do irmão Gaio, que além de o estar hospedando naquela data, também era o hospedeiro de toda a Igreja de Corinto. Devido a este fato é que falando aos irmãos em 1Coríntios 14:23, ele traz uma direção de como proceder, quando a Igreja toda estivesse reunida no mesmo lugar.

Preste bastante atenção em cada palavra dos seguintes textos: Atos 12:2; Atos 21: 8-14; Atos 16:40; Atos 20: 17-20 e Tito 1: 7-11. Porque você acha que em todos estes textos associados à casa dos irmãos, há pessoas congregadas, orando, profetizando, confortando uns aos outros e ensinando? Logicamente por se tratar das atividades cotidianas da Igreja, que se reunia nestas próprias casas mencionadas.

O casal Áquila e Priscila sempre cooperaram com o ministério de Paulo, e também eram missionários que migravam levando o evangelho. A Bíblia menciona por duas vezes que em cidades diferentes, onde eles se encontravam, eles hospedavam a Igreja do local em suas casas. Confira este fato, lendo as passagens de 1Coríntios 16:19 e Romanos 16: 3-5.

Um caso muito especial é o caso de Jerusalém, uma das metrópoles da época. A Bíblia diz que em Jerusalém os cristãos primitivos partiam o pão (a principal reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 2:46), eles também ensinavam (outra importante reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 5:42). Quando Saulo começou a perseguir esta igreja (Atos 8:3), com o propósito de prender os cristãos, ele entrava de casa em casa (porque era aí que os cristãos se reuniam). Os historiadores nos contam que Jerusalém teve centenas de casas onde os cristãos se reuniam. Nestes dois primeiros textos, também é mencionado que os cristãos iam ao Templo Judaico. Será que eles iam lá para a reunião da Igreja? Lógico que não! Você acha que os Sacerdotes que os ameaçavam (Atos 4: 15-21), os espancavam (Atos 5:40) e os levavam para o cárcere (Atos 4: 1-3 e Atos 5: 17-18) por ensinar no nome de Jesus; iam ceder o Templo Judaico para a reunião da Igreja? É ilógico pensar desta forma. Eles se reuniam apenas no Pórtico de Salomão (Atos 5:12), que era uma parte do átrio exterior do Templo. Esta parte era aberta também aos gentios e um local de frequentes debates e muito comércio (Mateus 21:12). Os Apóstolos iam lá com propósitos evangelísticos (Atos 2: 40-41 e Atos 4:4). Que em Jerusalém os cristão se reuniam de casa em casa é um fato bíblico e histórico.

Outro caso muito interessante refere-se a outra metrópole da época que era Roma: O apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos daquela cidade, saúda nominalmente a um primeiro grupo: “Áquila, Priscila bem como à Igreja que se reunia na casa deles” (Romanos 16: 3-5). Ele também saúda nominalmente um segundo grupo: “ Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles” (Romanos 16:14). E saúda ainda nominalmente um terceiro grupo: “Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles”. Existiam em Roma, pelo menos três grupos distintos de cristãos (que se reuniam em casas distintas) por ocasião da carta. O mais interessante é que quando Paulo chega em Roma, ele não começa a se reunir em nenhum dos locais já existentes. Ele começa um quarto grupo em uma casa que ele mesmo aluga (Atos 28: 30-31). Porque isto? Será que Paulo não se dava bem com os outros grupos de cristãos? Amados devemos entender que casas são geralmente pequenas (comportando um grupo pequeno de cristãos), e quando Paulo chegou em Roma provavelmente as outras casas já estavam no limite máximo de pessoas, assim ele normalmente começou um quarto local para reunião de cristãos em sua casa.

Uma última explicação bastante útil refere-se ao texto de Atos 20:8 onde é mencionado que os irmãos estão reunidos num cenáculo. Muitos por desconhecerem o grego, confundem um cenáculo com um Templo ou algum outro tipo de “local mais próprio para reuniões”. A palavra cenáculo no grego é <!–[if !vml]–><!–[endif]–>( uperwon ), e significa simplesmente uma casa maior com um segundo pavimento. Veja isto claramente mostrado nos textos de Atos 1:13 (onde os cristãos estão reunidos num cenáculo, à espera do Espírito Santo) e Atos 2:2 (onde o Espírito Santo ao ser derramado enche toda a casa onde eles ainda continuavam reunidos e esperando por Ele). O cenáculo mencionado é apenas uma casa grande (comum aos mais ricos).

Eu creio que os argumentos acima são mais que suficientes para provar à qualquer cristão sincero que não há comprovação bíblica e nem histórica (pelo menos até o início do quarto século) para reuniões da igreja em nenhum tipo de lugar que não sejam as próprias casas de seus membros.

Más reunindo-se em tantos locais (casas) diferentes, dentro de uma mesma cidade, isto não irá produzir grande divisão entre os cristãos, quebrando assim a unidade da Igreja?

Tanto a Bíblia quanto a história desmistificam este conceito, Reunir-se em várias casas (e nelas Partir o Pão), foi a realidade da Igreja Primitiva, e nunca a dividiu. A Mesa (princípio da comunhão) continuou única, apesar de presente em vários locais. O que divide não são os muitos locais de reunião e sim as atitudes do coração de quem está se reunindo. Confira este princípio lendo os textos seguintes (Marcos 7:21-23 – 1Coríntios 3:3-6 – Gálatas 2:6-10 – 1João 1: 1-3).

Quando nos recusamos a ter comunhão (um anti-tipo da Mesa) com irmãos genuinamente salvos, aí sim estamos dividindo o Corpo de Cristo. Esta postura está claramente manifesta na conduta do Presbítero Diótrefes (3João 9-11), que desejava ter a primazia (proeminência) entre os demais presbíteros. Desta forma, de maneira arbitrária e intransigente, ele se recusava a receber na comunhão outros irmãos cujo pensamento diferia do dele (incluindo entre eles o próprio apóstolo João), tentava impedir os demais irmãos da Igreja de recebê-los, chegando até ao ponto de ameaçá-los com a expulsão da igreja.

Finalizo esta reflexão com uma última pergunta: Se ao construir sua casa material (O Tabernáculo), Deus deu um projeto preciso a Moisés e não permitiu nenhum acréscimo ao seu projeto original (Êxodo 25:9). Será que na construção da sua casa espiritual (1Pedro 2:5), que é a Igreja, Deus permitiria tais acréscimos?

A pergunta correta não é porque nos reunimos de casa em casa, já que isto faz parte do projeto original de Deus. A pergunta correta a ser feita é onde obtivemos permissão para nos reunirmos de forma contrária ao projeto original. Se negligenciarmos este ponto fundamental da reunião da Igreja, a negligência em outros pontos também virá, será apenas uma questão de tempo (Lucas 16:10) .

Durante os primeiros três séculos, os cristãos não tiveram edifícios especiais. Como disse um erudito, “O cristianismo que conquistou o Império Romano era essencialmente um movimento centrado em casas”. Alguns dizem que o fato deles reunirem-se em casas era devido à repressão. Isso não é verdade. Foi uma opção consciente e deliberada.

Na medida em que as congregações cresciam em tamanho, os cristãos começaram a remodelar seus lares para acomodar os números crescentes. Um dos descobrimentos arqueológicos mais marcantes nesse sentido foi a casa de Dura Europeas na moderna Síria. Esta casa constitui o mais antigo registro de uma igreja caseira de que se tem notícia. Foi um despretensioso local privado adequado para acomodar cristãos em suas reuniões por volta do ano 232 d.C.

Essencialmente, a casa de Dura-Europeas era uma casa onde se havia suprimido a parede entre dois quartos para criar uma grande sala. Com a reforma, a casa podia receber aproximadamente 70 pessoas. As casas reformadas, como foi o caso de Dura-Europeas, não podem ser classificadas como “edifícios de igrejas”. Eram simplesmente casas adaptadas para acomodar assembléias maiores. Além disso, estas casas jamais foram chamadas de “templos”, termo que os pagãos e judeus utilizavam para designar seus espaços sagrados. Os cristãos não chamaram seus edifícios de “templos” até o século XV!

 

FONTE: Blogger  Em cada casa uma Igreja