Cultura, mundanismo e espiritualidade

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Existem algumas diferenças entre cultura, mundanismo e espiritualidade. Às vezes as diferenças são imperceptíveis. Para que o leitor entenda a diferença basta ler as Escrituras tanto do AT quanto do NT. Imagine se prevalecesse hoje a cultura dos dias dos apóstolos, na forma de vestir, no linguajar, nos costumes, na forma de culto e no conhecimento. As culturas mudam. O terno e gravata usados nas igrejas é cultura francesa, e os crentes se adaptaram bem ao terno e gravata; não só os crentes, mas a sociedade os aceita como padrão de bem-vestir. Se alguém quiser ser bíblico na forma de vestir, use as vestimentas do Oriente Médio, como as dos homens e mulheres árabes.

 

Beber vinho ou cerveja faz parte de algumas culturas; mas é rejeitado por outras. Na Europa e alguns países da América Latina os crentes tomam cerveja e vinho; nos Estados Unidos é uma ofensa à fé cristã. A igreja brasileira “criou” a cultura da abstinência devido ao alto índice de embriagues dos brasileiros.

Semelhantemente quanto aos símbolos religiosos. Os evangélicos brasileiros preferem o uso do peixinho ou a chama de fogo como identidade de sua fé; mas, rejeitam a cruz por questões históricas e por birra com os católicos romanos. Quando se permitiu que os evangélicos tivessem templos no Brasil, os católicos exigiram de Dom Pedro II que as igrejas evangélicas não poderiam usar cruz nem sino – o que implica ter uma torre. Algumas igrejas pentecostais do Rio Grande do Sul, como as Assembleias de Deus têm cruz em seus templos, mas, nas demais regiões do Brasil, ter uma cruz no templo é pecado capital.

O mundanismo é diferente, porque ele está em todas as culturas, e se infiltra na espiritualidade do povo. É possível que um mesmo cântico cristão seja cantado com temor e alegria diante de Deus por um grupo, e por outro, como maneira de expressar opinião ou cultura. Quando Regis Danese escreveu a letra e cântico “Entra na minha casa”, nas igrejas era cantado com fervor; nos bares, nos bailões e nos caminhões de entrega de gás como uma música qualquer. Na igreja havia o toque de espiritualidade, nos demais locais, mundanismo.

O mundanismo revela sua faceta perversa na forma sensual em que os crentes se vestem e vivem; seja na maneira sensual das mulheres – e ela pode estar vestida elegantemente; e na forma sensual que alguns irmãos se vestem. Certos pregadores fazem questão de mostrar, que sob suas calças há um volume enorme, e isso tenta as irmãs. Estas usam decotes mostrando os seios e vestidos curtos inimagináveis em algumas culturas; uma tentação aos homens.

Revela-se também no estilo de vida, quando já não existem diferenças na sociedade entre um discípulo de Cristo e um mundano qualquer. Os dois mentem, roubam, fazem falcatruas, enganam; se prostituem etc. Para o não crente isso é estilo de vida normal; não para um cristão que deveria ter como regra de fé o ensino de Jesus e dos apóstolos. Existem mulheres que não são membros de igrejas que se vestem mais decentemente que as crentes, mas não são espirituais; e existem mulheres que usam joias e adereços e se vestem sem sensualidade. São bem espirituais e comprometidas com Cristo em seu estilo de vida.

As mulheres da Bíblia, tanto as do AT como as do NT usavam joias e adereços, no entanto, Deus não as condenava pelo uso de joias, mas pela vida de luxúria, orgulho e prostiuição.

Assim, o mundanismo se infiltrou na  forma de culto da igreja, nos cânticos, nas danças, nas pregações, no linguajar chulo de certos pregadores etc. Sim, porque o mundanismo na igreja tem uma vestimenta chamada espiritualidade; mas não passa de mundanismo. Nas pregações, o mundanismo se vestiu de mensagem de autoajuda; de conceitos filosóficos, de frases de efeito; nas letras das canções também. “Sou um vencedor e não aceito derrotas”, indica que o cantor ou o autor ou autora da letra nada conhece de Bíblia nem jamais estudou a vida dos apóstolos. Nem entendeu o capítulo 11 de Hebreus. Isso é mundanismo na sua forma mais ateia, que é o positivismo e o humanismo.

As pessoas que se convertem hoje na igreja não tem como tirar as tatuagens. Alguns jovens que se convertem têm as orelhas alargadas e não há como voltar ao normal; elas têm que se manter assim. Alguns, no entanto, confundem essas coisas com mundanismo, mas são culturais. E uma pessoa tatuada e com furos enormes na orelha pode ser mais espiritual que alguns crentes que nada usam. É possível não ter furo algum na orelha; pele limpa, sem barba ou maquiagem, andar de gravatinha e de vestido apertado no pescoço, comprido até as canelas e ser tão mundano ou mundana como a pessoa que vive no mundo sem conhecer o evangelho.

A espiritualidade de uma pessoa não é medida pela aparência. Mas algumas aparências indicam que o mundanismo está presente. As mudanças culturais não indicam falta de espiritualidade, mas algumas culturas podem revelar o mundanismo

Fonte: Joao de Souza