Batismo

SIGNIFICADO PARA O POVO JUDEU

O termo batismo vem da palavra grega “baptizo” que significa imersão. No Velho Testamento, há uma série de orientações acerca da lavagem de purificação, a origem mais remota do batismo (Nm 31:23). A lavagem incluía também o ritual de lavar as mãos antes das refeições (ablução, cf. Hb 9:10). Após um pecador tocar em algo impuro, ele deveria se purificar, lavando-se em água. A imersão ou lavagem de purificação do corpo para o povo judeu consta em: Lv 14:8, 9; 15:9, 13, 16, 18; 16:4, 26, 28; 17:15; 19:8; 22: 6; Nr 19:8, 19; Dt 23:11; Mc 1:44;Lc 2:22; Lc 5:14; Jo 3:25

 

 

SIGNIFICADO PARA O PROSÉLITO

Quando se fala de batismo é importante entender a situação dos prosélitos. Entende-se como prosélito a pessoa que se converteu ao judaísmo. Por tradição, o prosélito deveria ser batizado e circuncidado para poder fazer parte da comunidade de Israel, tendo os mesmos direitos de um israelita, podendo entrar na casa de um judeu e cear com ele (vide conversão judaica). Note que um um gentio prosélito deve obrigatoriamente ser batizado para fazer parte da comunidade de Israel, além, é claro, de se circuncidar. A questão da circuncisão de gentios, entretanto, foi tratada pela igreja em Jerusalém em Atos 15, mas o direito ao batismo em água não foi sonegado aos gentios convertidos (Atos 10:47).

SIGNIFICADO NOS TEMPOS DE JOÃO BATISTA

Chegando os tempos da Nova Aliança, Deus chama João, o Imersor (batista), para oportunizar  arrependimento aos judeus religiosos do seu tempo , uma vez que aquilo que era um relacionamento vivo com Deus, havia-se tornado uma série de regras mortas e prescrições sem realidade. Note que o batismo de João foi voltado para os Judeus e não para os gentios (Atos 13:24). Os judeus então precisavam voltar para Deus, isto é, iniciar seu processo de conversão, ou teshuvá (cf. hebraico) a Deus. Esse processo se iniciava com o arrependimento. Por isso o batismo de João era chamado de batismo de arrependimento (Atos 19:4, 13:24; Lucas 3:3 e Marcos 1:4). Isso, para a época, por si só já era um choque. Por que pessoas religiosas, que guardavam o sábado, davam o dízimo e faziam jejuns e orações deviam ser arrepender e nascer da água? As pessoas religiosas precisavam entender que sua vida de observância de rituais exteriores estava distante de Deus; que todos seus esforços somente tinham gerado divisões, vazio e afastado os seus próximos; que sua vida, aparentemente correta diante dos homens, estava cheia de morte; que um relacionamento vivo com Deus havia se tornado uma religião vazia, onde, não raro, pregava-se algo que não se vivia, deixando assim de entrar no Reino, e também não permitindo que outros entrassem. Um judeu então que se arrependia, abria no seu coração caminho para receber Jesus.   O ministério de João Batista deveria durar até a chegada do Cordeiro de Deus. Os judeus que se converteram ao Senhor e nasceram de novo sentiram a necessidade de ser imersos (batizados) como demonstração pública de que estavam abdicando a religiosidade vazia e agora estavam dispostos a viver a vida do Reino. Entretanto, como a comunidade judaica-cristã em Jerusalém ainda era fechada (Atos 11:19), para poderem participar da comunhão, os alguns convertidos gentios ainda praticaram a imersão, como o ocorrido na casa de Cornélio (Atos 10), tornando-se prosélitos. Essa prática tem sido adotada até os dias de hoje.

O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DO BATISMO

A arrependimento da religiosidade é importante; o testemunho público é importante; a vontade de mudar e retornar para Deus é importante – e esse foi o retorno pregado por João Batista, mas ele próprio alertou o povo que havia havia um outro batismo, uma outra imersão, muito superior à imersão nas água: era a imersão no Espírito.

João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis (João 1:26).

E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo (Mateus 3:11)

Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Lucas 3:16)

Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo (Marcos 1:8)

Quando Jesus veio, Ele imergiu seus discípulos no Espírito, primeiramente soprando o Espírito neles (João 20:22) – em um segundo momento, no dia de Pentecostes, Jesus imergiu mais de 3.000 pessoas no Espírito (Atos 2:41) e eles ficaram cheios do Espírito. Sendo assim imersos no Espírito, do interior deles começaram a fluir rios de águas vivas (João 7:38) cujas águas se espalharam para toda a terra habitada, tendo, graças a Deus, nos alcançado um dia (Ezequiel 36:25-26; 47:1-12; Isaías 55:1). Enquanto a imersão na água era testemunho de arrependimento; a imersão no Espírito supriria a vida e poder necessários para que a mudança interior fosse produzida. Exemplificando: enquanto o arrependimento faz o pecador girar a chave do carro; o Espírito é o combustível que faz o veículo andar – o arrependimento sem Espírito não vai longe; mas havendo Espírito sem arrependimento, também não é possivel sair do lugar. Arrepender-se e ser imerso no Espírito são atitudes que precisam andar juntas para a vida cristã se desenvolva. Mas o que é ser imerso, ou batizado, no Espírito? Se imerso no Espírito é ser cheio interior e exteriormente do Espírito. No Velho Testamento vemos um exemplo em Ezequiel 47, mostrando o fluir da água que vai aumentando aos poucos até que a pessoa passe a se mover totalmente no Espírito, isto é, na água que sai do limiar do Trono. A vereda do justo seria então um andar diário no Espírito, de graça em graça, até que o sejamos cheios do Espírito. Jesus que nunca imergiu ninguém em água, disse que seus discípulos deveriam imergir as pessoas na autoridade do nome do Pai, isto é, essas pessoas deveriam morrer para toda a realidade (ou autoridade) do seu próprio nome, da sua reputação, da sua maneira própria, para estarem cheias da autoridade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

…Toda autoridade no céu a na terra foi dada a mim. Portanto, vão e façam discípulos entre as pessoas de todas as nações, imergindo-as  na realidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:18-19).

O Apóstolo Pedro também, usando a analogia da Arca no dilúvio, referiu que, assim com a arca havia salvo das águas de morte oito pessoas que estava no seu interior, trazendo-as vivas à terra seca, da mesma forma, a pessoa de Jesus,  tendo entrado na morte, libertou da morte os que estavam nEle. Quando cessaram as águas, eles saíram vivos como que em ressurreição. Para Pedro, esse fato era muito mais superior à lavagem cerimonial da carne:

“Isso também prefigura o que nos liberta agora, a água da imersão, que não é a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso da manutenção da boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus, o Messias” (1 Pe 3:21). 

 

BATISMO CRISTÃO

Embora não vejamos nenhuma menção direta de que os gentios cristãos deveriam ser imersos em água – há menção direta acerca da imersão no Espírito, tendo o apóstolo Paulo referido diretamente que havia somente um batismo, isto é, o batismo no mesmo Espírito (Efésio 4:5), essa tradição tem sido adotada desde do início da era cristã, como sinal de arrependimento de uma velha vida alheia a Deus e não mais como conversão de uma vida religiosa hipócrita, como ocorria entre os judeus convertidos. O batismo também jamais deveria ser considerado como o ingresso em igreja ou em uma nova religião, como acontecia com os prosélitos e até hoje ocorre em alguns grupos cristãos que não aceitam o batismo realizado em outro grupo, isto é, somente aceitam a imersão realizada no seu próprio grupo. Quando alguém espontaneamente deseja ser imerso, deve estar claro que está demonstrando publicamente que abandonou sua velha vida e agora deseja viver na nova vida, em Cristo Jesus e isso nada tem a ver com fazer parte de um grupo ou igreja, mas se trata de uma atitude oriunda de um relacionamento íntimo com Deus (Atos 8:36). Sem essa realidade interior, o batismo é um mero banho público. Entre os cristãos, a imersão costuma ser realizada imediatamente após a pessoa crer. O crer é uma atitude interior de fé; o ser imerso é uma atitude exterior; ao crer, o cristão recebe, mediante a fé, toda a obra consumada de Cristo; ao ser imerso, ele testifica publicamente que recebeu tal vida maravilhosa; ao crer, o cristão recebe interiormente uma nova vida; ao ser imerso, o cristão testifica publicamente a morte da sua velha vida com Cristo; ao sair das águas, o cristão testifica que é uma nova criatura que ressurge das águas da morte, onde permanecerá, pela fé, o seu velho homem. Não há local definido para a imersão, podendo ser realizado em piscinas, lagos, rios e até em banheiras. O importante é que quem creu não tenha dúvidas quanto ao passo que está dando, nem se sinta pressionado a fazê-lo.

“…Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.” (Romanos 14:5b, 22)

Nunca podemos deixar de ter em mente que a realidade da imersão é o viver e andar no espírito, onde o cristão experimenta diariamente a morte e a ressurreição de Cristo e está equipado para viver uma vida vitoriosa.

 

Fonte: Igreja nos Lares